
Como bom admirador televisivo, sempre que surge um destaque, adoro fazer meus próprios comentários. E convenhamos que o país inteiro está indignado com o grande destaque da dramaturgia atual. Uma menina fofa, que chegou chegando apenas como mais um brilhante talento mirim, mas que convenceu o país de que é a grande vilã da trama do horário das oito. Sim, é ela, Klara Castanho como Rafaela, fazendo jus ao seu destacado nome na abertura de “Viver a Vida”.

Klara já havia brilhado na série “Mothern” na TV paga e vivido um pequeno papel mirim em “Revelação” um dos últimos fiascos dramatúrgicos do SBT. E foi ali que seu rostinho meigo chamou a atenção. Para quem entrou, a princípio, para ser a filha sem pai de Giovanna Antonelli, Klara Castanho já era vista, antes mesmo da novela estrear, como a comparsa das maldades da mãe, que seria a vilã Dora da historia de Manoel Carlos.
Mas a novela foi lançada, o ibope foi mostrando que tinha algo de errado com a trama e, num piscar de olhos, tudo mudou. Realmente, o autor pensou em fazer da pequena brilhante uma vilãzinha muito mal criada. O problema foi que a mãe dela, Dora, não se tornou a vilã que o país inteiro queria ver. Giovanna Antonelli acabou ficando caricata com sua Dora e conquistou os telespectadores como a mais amorosa mãe da novela, ao contrário do mal exemplo que ela deveria ser para a filha. E adivinhe para quem sobrou todo o destaque que faltou a mãe? Sim, para a filha.
Rafaela é responsável, hoje, juntamente de Alinne Moraes com sua Luciana, pelos melhores e mais apreensivos momentos de “Viver a Vida”. Não aceitando a ideia da mãe em mudar para o Rio de Janeiro e trabalhar na casa de Helena – papel da protagonista ofuscada Taís Araújo –, Rafaela começou a colocar suas manguinhas de fora. E o que é aquele olhar da garota quando quer muito amedrontar Helena? Sinceramente, digno de atriz muito experiente.
A menina tem ótima dicção, fala com naturalidade, sabe diferenciar sua personagem diabolicamente doce de seu caráter natural e, acima de tudo, mantém os pés no chão. Tanto que, quando vai dar uma entrevista em algum programa de televisão, não tem nenhuma crise de estrelismo ou coisa do tipo. E olhe, digo uma coisa. São atrizes assim que, num futuro próximo, se consagram no país inteiro.
Estou louco para ver o desenrolar dessa nova e, mais atraente, Rafaela. Agora que finalmente “Viver a Vida” fez regime e perdeu um pouco da barriga – tudo culpa do carnaval, segundo Manoel Carlos – a personagem ficou mais interessante e, mesmo tendo sido proibida de fazer maldades explícitas pelas autoridades públicas, deixou a trama com um gostinho de inovação acertada. Afinal, até hoje quantas crianças interpretaram papéis de vilão? E não me digam que Rafaela não é uma vilã porque, sempre que ela abre a boca para fazer ameaças a Helena, fico com vontade de dar umas boas palmadas na bunda da menina, assim como fico com um coceira de entrar na televisão e socar uma Paola Oliveira, de “Cama de Gato”.
Enfim, Klara Castanho como Rafaela está dando um show de carisma, interpretação e ameaçando o poderoso olhar de Patrícia Pillar como Flora. A pequena atriz certamente veio para ficar e assim espero, porque talentos dessa idade não se encontram em qualquer Avenida. Klara Castanho é Klara Castanho. E Rafaela é Rafaela. O que quero dizer com isso é que percebi que a menina sabe muito bem onde estar e onde pisar. Um convite para as autoridades repensarem a censura que estão colocando nos dedos de Manoel Carlos e nos olhos de milhões de telespectadores brasileiros que querem ver “Klara Castanho como Rafaela” brilhar ainda mais na novela das oito.






























