
Acho que o jornalismo televisivo está precisando de uma grave revisão no quesito definição de pauta. O espaço que dão para o futebol é lamentável, ainda mais se levarmos em conta que a postura dos jogadores, dentro de campo e na vida pessoal, não é exemplo bom prá ninguém ,o que não lhes confere o mérito de serem chamados de atletas.
Atleta, na melhor acepção da palavra, é muito mais do que um profissional do esporte. Atleta é um exemplo de saúde e equilíbrio, ainda que, por ser humano, esteja sujeito a erros. O que vemos no futebol são atletas ricos e ociosos, gordos, beberrões, festeiros em excesso, envolvidos com companhias cheias de ilicitude, mas bajulados pela mídia, que se curva diante das grandes verbas publicitárias que os coloca no podium.
Nenhum outro esporte é palco de tanta violência nos campos de prática. Nenhum outro esporte produz atletas tão ricos e indisciplinados ao mesmo tempo. E os noticiários parecem babar ao conseguir entrevistar esses maus exemplos que jamais conseguem ter fluência vocabular, além de duas ou três frases feitas. Já viu coisa mais inútil do que entrevista de jogador de futebol?
Lógico que existem exceções. Sócrates, Zico, Júnior, Raí, entre poucos, conseguiram subir mais alguns degraus e divisar uma inteligência e perspicácia consistente, ainda que a serviço dessa esparrela cultural chamada futebol.
Confesso que não agüento mais gente com pena de Ronaldo “fenômeno”, Adriano “imperador” por eles estarem com problemas pessoais para desenvolverem seus talentos. Pois acho que eles ganham mais do que o suficiente para jogarem bem todos os dias, uma vez que brasileiros bem menos abastados não têm desculpa para faltar ao emprego ou empurrar com a barriga (a desses jogadores só cresce e olha que se dizem atletas) o trabalho. Na vida real somos demitidos ou dispensados quando não damos conta do recado, mas os jogadores, funcionários públicos e políticos, não. Ainda querem me convencer que vivemos numa democracia.
Muitos a essa altura devem estar dizendo que o colunista enlouqueceu e que não reconhece o esporte de multidões, a paixão nacional, a popularidade enorme do futebol. É lógico que essa popularidade existe, mas populares também são muitos ditadores, políticos desonestos, drogas e maus hábitos e isso não faz desses itens coisas dignas.
Voltando ao jornalismo televisivo, acho que essa opção pelo excesso de espaço dado ao futebol, demonstra a opção pela política do pão e circo, só que aqui o circo é muito mais caro que o pão e enriquece uns poucos, através da drenagem da paixão de quem precisa, verdadeiramente, de pão e educação.
Escrito por Paulo Ribeiro, colunista da TV Audiência.
























