
Essa semana foi de estréias! Duas emissoras apostam suas fichas em seus produtos e cá pra nós ambas oferecem um produto diferente em seus horários. A primeira é o SBT que lançou essa semana a esperada adaptação de Tiago Santiago de uma novela de sucesso “Uma Rosa com Amor”. A outra foi a rede RECORD com sua minissérie bíblica “A história de Ester” oferecendo uma outra opção para o público que gosta de acompanhar uma história com menos capítulos.
No SBT, o primeiro capítulo deixou a desejar quando não mostrou nada de novo, a sensação era de que se assistia a “Betty a feia” da Record só que sem o colorido da Televisa. Um capítulo lento, chato, uma overdose de imagens da cidade de São Paulo e problemas de áudio que dificultaram o entendimento de alguns diálogos. Porém uma abertura linda, delicada e romântica como pretende ser a novela. É muito bom ver o ator Edney Giovenazzi de volta às novelas e Betty Faria é uma estrela. Torço muito para que o SBT mantenha a novela nesse horário para criar o hábito do público que parece desejar isso da emissora. Aposto na novela pelo elenco e porque acredito no autor ainda que tenha me decepcionado com esse primeiro capítulo. Mas c omo é novela ainda temos muito pra ver pela frente!
Já na rede RECORD, a minissérie é uma superprodução que parece ter bebido na fonte de “ROMA” da HBO, é claro que não com o mesmo acabamento e requinte. Porém é perceptível todo o cuidado da produção que buscou realizar o melhor para esse projeto. O que observo é que o diretor João Camargo não possui uma “mão” cinematográfica e assim todas as cenas parecem as de uma novela, só que bíblica. A sensação que eu tenho é a de que sempre falta alguma coisa. Os desafios são muitos afinal a história pede grandes batalhas (bem realizadas) e cenários grandiosos e a emissora bancou tudo isso. Muitos efeitos especiais que “lembram” cenas de cinema além de uma trama muito interessa nte. Sempre achei essas histórias bíblicas muito folhetinescas e um público carente por coisas do tipo, assim acho um grande acerto da emissora. O elenco tem pontos fortes: Paulo Gorgulho e Ewerton de Castro se destacam pela naturalidade e verdade nas cenas. Eliete Cigarini e Vanessa Gerbelli dominam suas cenas. Já Marcos Pitombo, o protagonista demonstra ainda inexperiência para fazer um personagem como este rei, seu texto é desperdiçado e quando tem cenas com Paulo Gorgulho é perceptível a diferença em como se diz o texto. Precisa de mais teatro Pitombo! Mais verdade! Destaco essa semana a cena de Vanessa Gerbelli e Paulo Gorgulho em que fazem planos enquanto ela o massageia. Sem efeitos especiais, bom texto, interpretações precisas e direção na medida.
Assim sendo ganhou mais pontos de audiência quem arriscou mais: Parabéns a rede Record por oferecer um produto novo e diferente!
Eu já contei que…
- Os autores, Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, iam escrever a novela “O dono do mundo” juntos para repetir a dose de “Vale Tudo”, porém Daniel Filho não permitiu.
- A trama “Barriga de aluguel” de Glória Perez ficou engavetada durante cinco anos antes de se tornar o grande sucesso das seis.
Jefferson Machado é arte educador, dramaturgo,ator e diretor de teatro
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