
Quem vem acompanhando meu trabalho frequentemente, deve ter notado que eu me referi inúmeras vezes ao termo criado por mim próprio como TPN. Pois trata-se da ansiedade que temos quando uma novela está para estrear. A chamada Tensão Pré Novela. E hoje vou falar sobre uma que ainda demorará um pouco para termos a graça de vê-la, mas que já está dando tanta repercussão que não consegui me segurar. Vou fazer alguns comentários sobre “Passione”, o próximo trabalho de Sílvio de Abreu no horário nobre.
Para principiar, não achei muita ligação do nome com a trama em si própria. Ainda assim, é um nome diferente e digamos, exoticamente italiano. Tudo bem que a novela se passará em partes na Itália, mas pelo que li sobre a obra, poderia ter outro nome.

Quanto a história, achei o gancho inicial bastante interessante, como se o autor quisesse dar largada a uma maratona. Um ato que influencia metade do elenco a lutar por algo. Isso acontece quando Bete Gouveia, que será vivida pela terrivelmente maravilhosa Fernanda Montenegro, casa-se com Eugênio – em participação especial de Mauro Mendonça – grávida de outro homem. Eugênio decide aceitar criar o filho bastardo como se fosse seu, mas o bebê nasce morto. Ou pelo menos é isso o que ele faz a mulher acreditar.
Depois de construírem um gigantesco império, a Metalúrgica Gouveia, que é especializada na produção de material esportivo, e terem três filhos, eis que surge a revelação. À beira da morte, Eugênio revela para Bete que o filho primogênito dela não morreu, mas que está vivo e que mentiu para ela porque não suportou a idéia de criar o filho de outro homem. Ele conta também que deu a criança a um casal italiano com uma boa quantia em dinheiro e que eles voltaram ao país natal. Diante disso, Bete perde o chão e decide encontrar seu filho, vivido por Tony Ramos, como o camponês Totó.
E é assim que surge a “maratona”. Os filhos legítimos de Bete e Eugênio terão de dividir o patrimônio com mais um, que ainda por cima é bastardo. E dois jovens sem caráter decidem se aproveitar desse segredo para saírem da miséria: os vilões Clara e Fred, vividos, respectivamente, por Mariana Ximenes e Reynaldo Gianecchini.
Agora vamos aos fatos. Estou louco para ver como essa revelação vai mexer com o ânimo de todo o elenco da novela. Afinal, já vimos isso em algum lugar, não é? Espero que o mestre Sílvio de Abreu saiba conduzir essa história de uma forma diferenciada.
E Mariana Ximenes como vilã? Juntamente com Reynaldo Gianecchini? Sinceramente, não sei porque os autores globais insistem em colocar atores acostumados a interpretarem bons moços em papéis de vilões. Isso aconteceu com a ótima Grazzi Massafera, e não deu nem um pouco certo. Mas acredito no “cacife” de Mariana e Reynaldo, até porque os considero atores completos. Já Grazzi é mais limitada.
O único e terrível erro de Abreu foi ter escalado Carolina Dieckmann para interpretar a mocinha da história. Afinal, a atriz tem um estilo de interpretar que não convence nem aos próprios fãs. Mas estamos aí, para acompanhar. Quem sabe “Passione” não surpreenda e recupere os preciosos pontinhos que a “barriguda” trama de Manoel Carlos perdeu por ser tão “barriguda”?